16/04/2012

Motivação não é movimento

Por: Ilma Lima
Motivação é um assunto bastante complexo e tem sido cada vez mais pesquisado para apoiar as decisões empresariais sobre o aumento da produtividade e dos lucros.  Maslow e Herzberg, estudiosos do tema, tratam do assunto de forma diferente, mas concordam dizendo que tudo o que fazemos é causado pelas nossas necessidades - quaisquer que sejam elas.
Essas necessidades têm cinco níveis na Pirâmide de Necessidades de Maslow. Os três primeiros níveis contém as necessidades básicas, as primordiais. São elas: 1) na base estão as necessidades fisiológicas: ninguém consegue viver sem ar, comida, repouso e abrigo; satisfeitas essas, viriam as de segundo nível - 2) as necessidades de segurança: precisamos de proteção contra o perigo ou privação para existir; 3) as necessidades sociais: de aceitação e inclusão em um grupo, que vão além do desejo de se fazer amizade, pois ser aceito em um grupo e sentir-se incluído nele favorece o saber conviver em sociedade.
 Em  plano mais elevado, as necessidades secundárias – 4) as necessidades do ego/eu (de autoestima): a reputação, o reconhecimento, o auto respeito, o amor; e 5) as necessidades de auto realização: a realização do potencial e a utilização plena dos talentos individuais.
Herzberg diferencia as três necessidades básicas (1, 2, e 3), como apenas higiênicas, isto é, existem para que tenhamos os cuidados indispensáveis ao funcionamento do corpo e servem para preservar a existência dos seres vivos. Estas nos colocam em ação, em direção à satisfação dessas necessidades para a manutenção da nossa vida. A isto Herzberg chama de MOVIMENTO. Porém, esse movimento em relação à satisfação dessas necessidades é algo temporário, e somente existe enquanto a causa estiver visível (a cenoura pendurada na frente do burro pra fazê-lo andar).
Segundo Herzberg, a MOTIVAÇÃO propriamente dita viria das necessidades secundárias de Maslow (4 e 5). Estas são consideradas como as motivacionais realmente e são peculiares aos seres humanos. Necessidades mais elevadas (4 e 5) são as que verdadeiramente nos conduziriam a patamares superiores como Ser e que dariam sentido à nossa existência como humanos – e não somente como ser animal.
Motivação é diferente e não funciona somente como motor para a ação (o movimento). Distintamente do movimento, que é uma energia instintiva para a preservação da vida animal, motivação é uma forma de energia psicológica, algo da alma e interno de cada um, é individual. Ninguém motiva ninguém – o que existe é a automotivação, que vem de dentro do ser - é o motivo que cada um de nós encontra, um significado da alma para a realização de algo mais elevado que só os seres humanos podem vivenciar. Alguém motivado vai dar o melhor de si demonstrando suas habilidades de forma bem-sucedida e produtiva. Com essa realização, a pessoa se recompensa no mais alto grau de motivação – a autorrealização, que nos influencia e impulsiona ainda mais, por nos causar um sentimento de prazer muito forte – e daí queremos bis – e isto não pára. Podendo ser um ciclo prazeroso e recompensador.
Ora, os empresários não querem animais ditos irracionais para trabalhar em suas empresas, querem humanos, seres racionais que possuem um cérebro mais evoluído para realizar tarefas que um animal (não humano) não poderia realizar. Não podemos ter a ilusão antiga de que queremos somente a mão de obra das pessoas, sem os corações e mentes. Já sabemos que não dá para excluir isso e, como antigamente dizíamos: “Deixe seus problemas na porta, não os traga para a empresa!”. E eu não diria também: “Deixe suas necessidades na porta e não os traga para a empresa!”.  Isso seria uma ingenuidade.
Se o decisor quer a manutenção, o desenvolvimento e o sucesso do seu negócio, deve considerar que favorecer a auto-motivação é importante e, sendo necessário ir além dos aspectos higiênicos que, conforme Herzberg, estes somente evitam que os empregados fiquem desmotivados e peçam demissão.
Sem dúvida nenhuma, a empresa deve suprir essas necessidades básicas de seus colaboradores: de bom ambiente de trabalho, bom salário, boas relações com as chefias e bons benefícios, só para falar das mais primordiais. Isso tudo é muito importante, mas não o suficiente. Os empresários devem disponibilizar aos seus funcionários, condições para que reconheçam o sentido do trabalho, o significado do que fazem para sua realização na vida. Enfim, tratá-los como seres evoluídos, pois eles com certeza responderão em forma de amar e respeitar a empresa, criatividade, inovações, bom tratamento aos clientes. Para isso, a grande sacada é descobrir o que motiva (ou auto-motiva) e inspira os colaboradores, porque isso funcionaria como uma chave para que ele desperte e descubra um significado para o seu trabalho, para a sua realização maior como ser humano.
Ilma Lima – mais de 25 anos conduzindo pessoas e grupos ao desenvolvimento pessoal e profissional; Psicóloga do trabalho e organizacional; consultora, palestrante e instrutora de treinamento; consultora da HQ Treinamento de Varejo.

Um comentário:

  1. Ilma,

    Excelente artigo!
    Não podemos nunca esquecer que as Empresas são organismos vivos feitas por PESSOAS.

    Ana Simas
    Recursos Humanos
    DANCOR INDUSTRIA MECÂNICA S.A

    ResponderExcluir