Com pontos negativos como trabalho durante os finais de semana, jornada de trabalho prolongada e salários pouco atraentes — além da concorrência cada vez maior dos shopping centers pelos profissionais —, muitas empresas do setor varejista começam a mudar sua gestão de pessoal.
Grupos como Carrefour, Wal-Mart e Magazine Luiza buscam desmistificar a idéia de que o varejo só oferece trabalhos temporários, onde não é possível construir carreiras sólidas, e investem cada vez mais na capacitação e retenção destes profissionais, especialmente diretores de lojas e gerentes, incutindo neles a cultura da empresa e a possibilidade de ascensão profissional.
A expansão de algumas redes tem colaborado para promoções e novas contratações.
No Magazine Luiza o vendedor é visto como o carro-chefe da empresa.“É o vendedor quem fideliza o consumidor, pois seu trabalho se baseia no relacionamento. Ele cria uma carteira de clientes que se tornam fiéis ao vendedor e à empresa”, acredita a diretora de RH Telma Geron.
Visando principalmente este colaborador, a empresa adota medidas como incentivos e promoções, que buscam reter este profissional.
A comunicação corporativa é uma delas.
No final do ano passado, foi criada a TV Luiza — canal interno exibido todas as quintas-feiras durante 45 minutos antes da abertura das lojas — que pretende aproximar todos os 9,5 mil colaboradores.
“A idéia também é fomentar o negócio, apresentar desafios e promoções, divulgar produtos e fazer treinamentos rápidos”, explica a diretora de RH.
A Internet também é ferramenta de aproximação.
Pela intranet os colaboradores podem fazer sugestões para melhorar o dia-dia dos negócios.
Os melhores recebem gratificações de até R$ 300.
As críticas e queixas são atendidas pelo telefone diretamente pela diretora de RH ou a superintendente da organização, Luiza Helena Frajano.
A diretora de RH diz que a principal ação da empresa é mostrar para seus funcionários uma administração aberta e fazer com que os seus colaboradores se sintam parte integrante do negócio.
Com isso, a rotatividade vem diminuindo no Magazine Luiza.
Cerca de 40% do corpo de funcionários já está na empresa há mais de três anos.
Parte deles provém das aquisições de algumas redes que a empresa realizou nesta época e contabilizaram em 300 novas lojas — metade do grupo.
A rede de supermercados Carrefour, por exemplo, destinou R$ 24 milhões para capacitação de seu pessoal em 2006.
Medidas como formação de líderes reduziram o turn over (rotatividade) em 20% nos últimos 18 meses.
Antes disso, esse percentual atingia os 34%.
Na empresa, atuam 45 mil funcionários — sendo 40 mil diretamente ligados ao setor de vendas.
Em 2006, o Carrefour tem a previsão de abrir 15 novas lojas, com a criação de quatro mil novos empregos.
“Isso amplia a perspectiva de carreira, uma vez que serão 15 novos diretores de loja e pelo menos 50 novos gerentes”, revela a diretora de recursos humanos da rede, Renata Moura.
Desde o início do ano já foram realizadas 193 promoções internas.
“No dia-a-dia surgem muitas oportunidades. Nossa prioridade é o recrutamento interno, mas também trazemos profissionais de fora”, conta Renata.
A empresa enfoca as ações no planejamento estratégico de líderes.
“O Carrefour acredita que uma boa equipe só funciona se tiver um bom líder.”
Na rede Wal-Mart, os colaboradores de loja são considerados pela empresa como aqueles que fazem a diferença no negócio.
“Eles são a sustentação de tudo, são eles que se relacionam diretamente com os clientes”, acredita a diretora de desenvolvimento organizacional do Wal-Mart Brasil, Susana Raposo.
A empresa enxerga os líderes como os facilitadores deste processo e por isso vem investindo, ao longo deste ano, na qualificação de médias lideranças e formação de líderes.
A comunicação interna também é explorada pela companhia.
No início do mês, a empresa inaugurou um canal interno de televisão, chamado TV Wal-Mart.
“O varejo vem se redesenhando nos últimos sete anos. Foi o segmento que mais se modificou e hoje é altamente profissional”, acredita.
Segundo a diretora, o setor adquiriu expertise e vem se cercando de profissionais qualificados.
“Atualmente, o varejo é um segmento tão atraente quanto qualquer outro setor.
Prova disso são os nove mil currículos, em média, que recebemos, a cada anúncio de postos de trabalho”.
Presente com 296 unidades em 17 estados, o Wal-Mart vai investir R$ 600 milhões na abertura de 15 novas lojas este ano, o que deve gerar cinco mil empregos diretos.

